quinta-feira, 23 de junho de 2011

| brilho eterno de uma mente sem lembranças |


"Feliz é a inocente vestal!
Esquecendo o mundo e sendo por ele esquecida.
Brilho eterno de uma mente sem lembranças
Toda prece é ouvida, toda graça se alcança" (Alexander Pope)


Para quem assistiu essa obra prima da sétima arte, entende o peso que o poema acima reflete sobre o filme e também sobre a realidade humana.
A primeira vez que me deparei com esse filme, não me animei, ví um elenco grande, porém com um ator que não se encaixava a um filme de abordagem séria. Decidi que não iria assistir o filme. Joguei o DVD na gaveta do meu criado mudo, que alí ficou por pelo menos 2 anos.
Porém um dia, estava doente e sozinho em minha casa, a solidão me propôs assistir um filme, e por um lapso de memória e nenhuma outra opção, me recordei daquele DVD em meu criado mudo.
Comecei a assistir e assim percebi que o fato de não ter visto um filme como aquele foi um atraso em minha vida.
O poema acima de Alexander Pope é a base para o filme "Brilho eterno de uma mente sem lembranças". Onde nos surpreendemos que um filme que fala sobre relacionamentos seja tão bom, criativo e extremamente original. "Brilho eterno de uma mente sem lembranças" constitui-se na história de um casal Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet). Que após algum tempo juntos, passam por desilusões, constrangimentos e humilhações que somente um relacionamento a dois proporcionam. Eis então, que uma futurista empresa contratada por Clementine apaga todas as memórias que ela tem de Joel. Joel se vê desesperado quando vê que Clementine não se recorda mais dele e decide fazer o mesmo. Porém, durante o processo, Joel se arrepende e faz de tudo para poder salvar o mínimo resquício de memória que possa preservar de Clementine. Começa entao a fase mais agitada, intrigante, surpreendente,excitante, excêntrica e excepcional do filme. Tal viagem nos leva a ver como atitudes impensadas as vezes não tem volta, e como nossas vontades de esquecimento nem sempre são boas.
Memórias são algo que nos definem como indivíduos no futuro, muitas vezes queremos que coisas passadas que foram ruins sumam da nossa cabeça, como se tudo o que passou não tivesse utilidade ou valor para nada. Tal desejo as vezes chega a ser tão complicado, que queremos que coisas boas sumam de nossas cabeças (como memórias boas com alguém que posteriormente nos feriu), e tais memórias, pelo simples fato de existirem, nos machucam.
O ponto é que, quando Joel percebe o quanto Clementine era importante para ele e como ele a amava, ele compreende que todas as memórias são importantes, mas as boas não devem ser esquecidas (sei que não é facil somente lembrar dos beijos e esquecer dos tapas, porém, isso nos tornaria seres humanos melhores).
E assim penso que Pope não estava certo. Abençoados são os que se recordam, pois das lembranças tiram ensinamentos, experiencias e conhecimento.

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